“O Sentido de um Fim”, de Julian Barnes

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Eu estive lendo “O Sentido de Um Fim”, livro de Julian Barnes que trata basicamente sobre como construímos versões parciais das coisas que vivemos para nos confortar de nossos erros e limitações. No livro, um amigo do protagonista se suicida, e tudo parece ok, até que 40 anos depois um diário faz ele revisitar todas as histórias que ele havia passado verniz por cima.

É sempre muito mais fácil delegar a culpa de uma briga a outra pessoa, principalmente quando se é adolescente. Se alguém não te amou, é culpa dela. Se alguém te tratou mal, é maldade dela.

Todas as vezes que eu tive alguma frustração, principalmente amorosa, eu fiz questão de escrever um texto distorcendo tudo à minha maneira, pra deixar claro a integridade da culpa ao outro.

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Trabalho na Pandemia e “Como Investir Para Encontrar Um Motivo Na Vida”

Da primeira vez que fui convidado a dar aula de português, há 9 anos, até hoje, quando sou coordenador de conteúdo de uma das maiores empresas do Brasil, consegui adicionar um zero à direita no meu salário bruto. Durante todos esses anos, uma coisa permaneceu imutável – eu nunca tirei nenhuma satisfação pessoal do meu trabalho.

As únicas vezes que me aproximei ligeiramente de uma satisfação foi quando produzi eventos. Em 2014, o Maravilhas Gastronômicas reuniu produtores de queijo, cerveja e linguiça do Rio de Janeiro. Em 2019, o Equipotel reuniu hoteleiros e fornecedores de todo o Brasil. E em 2021, o Transformando Energia em Cultura reuniu produtores culturais da Bahia e do Rio Grande do Norte.

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Um texto com saudade: Ah, como era bom evento de anime!

Eu começo a ir ficando velho e vou sentindo uma saudade tremenda de como as coisas eram na infância. Em especial naquela época antes da internet, quando as coisas eram mais simples e, ao mesmo tempo, mais intensas.

Com 7 anos eu me mudei para o interior de São Paulo e meu irmão me ensinou a jogar Magic. Foi num sítio de um amigo do meu pai, depois de um dia de correria e piscina, aprendi a jogar Magic embrulhado numa toalha, com a sunga molhada, ensinado pelo meu irmão. Também lembro que naquele dia ouvi barulho de sapo e fiquei apavorado.

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O narcisismo destrutivo de Karol Conká

Acho que não existe um brasileiro vivo que desconheça o desconforto generalizado que causa a Big Brother Karol Conká. Vamos a um breve relato dos feitos da moça em apenas um mês de programa.

LUCAS

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Nas duas primeiras semanas, vimos Conká destilando tortura psicológica com um menino de 24 anos. Proibindo-o de comer na mesa, manipulando as pessoas para excluí-lo, humilhando-o repetidamente, e atentando contra a sanidade dele de maneira premeditada.

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Éric Rohmer e Praia dos Ossos: As delícias e dissabores dos anos 80

Houve um breve período de tempo nessa quarentena que estive bastante relaxado. Saíra da minha antiga casa, onde um constante mau humor e clima febril me exasperava, e me mudei para a casa dos meus pais, onde reencontrei um conforto e um padrão de limpeza que me relaxou as têmporas.

Em outubro, o dito período, o Fluminense também se manteve invicto por 8 partidas, e a MUBI, essa graciosa surpresa, entrou em minha vida.

A MUBI é uma plataforma de streaming focada em filmes cults. Todos os dias um novo filme, todos os meses novos temas e uma curadoria impressionante. Logo que assinei, encontrei a seleção de filmes “Comédias e Provérbios” do Eric Rhomer, que ainda está disponível no catálogo.

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Provas de que tive 25

Quando o relógio marcar meia noite no dia de hoje, eu terei legalmente 26 anos de idade. É preciso que se registre isso, caso contrário ninguém terá percebido que passaram meus 25 anos.

Isso porque esta foi a idade mais discreta e improdutiva de toda a minha existência. A pandemia e a quarentena fizeram meus 25 anos irem de grande promessa a uma retumbante frustração. Mas nem tudo são lágrimas neste vale de intenções perdidas. Vamos por partes.

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Que que ta rolamd

Os dias não têm sido bons. Acordo com uma ansiedade tão esquisita que de meia em meia hora acho que preciso fazer cocô. Mas é só uma ansiedade e um pum.

Não quero ser permissivo com o termo ansiedade, até porque condeno quem usa assim à toa. Não chega a ser nada patológico, é aquela ansiedade natural que antecede grandes conquistas: quem não sente, já está morto.


Eu me mudo no sábado pra um bate-e-volta na casa dos meus pais enquanto não fecho meu novo apartamento. Tenho aproveitado a semana para visitar apartamentos o máximo que posso, pois depois de sábado será complicado me locomover para o bairro pretendido. Pode não parecer, mas ainda estamos numa pandemia.

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A quarentena é curiosa…

Depois de muito tempo, fui à casa de umas amigas que moram aqui na rua de trás. Mesmo que fosse normal, parecia diferente. Algo meio privado, ninguém podia saber. E mesmo que parecesse normal, era mesmo diferente. Não porque 1500 pessoas morriam por dia. Mas porque depois de tanto tempo se comunicando tão pouco, falando com tão poucas pessoas – uma cerveja e um bate-papo verbalizava tanto! E verbaliza para além dos discursos comuns, que nos habituamos a usar socialmente, nas conversas corriqueiras, que constroem aquela persona transitória. Fomos encontrando um novo tipo de conteúdo, um pouco parecido com o antigo, mas com umas pitadas um pouco mais reflexivas, como se todos ficássemos um pouquinho Zaratustra das ideias.

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Sobre Chinelos e Ciclos do Caos

Eu estava saindo do mercado, bolsa cheia de verduras, buço suando embaixo da máscara, coçando a pelugem da parte inferir do lábio com a boca.

Passei por umas floriculturas, olhei, olhei, escolho planta como se fosse roupa, olho um milhão de vezes, nunca gosto de nada, raramento vale o investimento, até que ploft, surge uma que me conquista o coração e compro imediatamente, mesmo que não pudesse.

Mas naquele dia nada. Então saí das floriculturas e meu chinelo arrebentou.

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Acabou a paz e o amor

Washingtonians Are Making Poignant Art About Quarantine ...

Agora o combustível para cada dia de quarentena é o ódio generalizado.

Há um mês, pensei ter atingido o pico de stress da quarentena. Meu horário e salário foram reduzidos por conta da pandemia. A equipe foi reduzida pela metade, mas as demandas continuaram as mesmas. E o meu chefe… o meu chefe é pior do que qualquer redução.

Sexta-feira ele gosta de aparecer. Nos corredores já se sente, nas entrelinhas já se ouve. “O que será que ele inventa hoje, ein?”, nos perguntamos ao chegar da tarde. Conforme anoitece sondamos, avisamos que pretendemos fechar o expediente, que temos isso ou aquilo. Nada.

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