Tudo é Rio, 2014 (Carla Madeira)

Tudo é rio Carla Madeira

Quando Heráclito falou que ninguém se banha no mesmo rio duas vezes, ele vinha de um momento em que todos os filósofos se preocupavam em saber qual era a essência da existência humana. Após uma sequência de teorias, que diziam ser o fogo, o ar, a água, a natureza, Heráclito disse: é a mudança. A vida é mudança.

A primeira frase da sinopse de “Tudo É Rio” diz: “Algumas vezes as mudanças acontecem na marra”. Porque, em última análise, o livro trata de mudanças que, na marra, moldaram a vida das pessoas. De três pessoas: Venâncio, um homem ciumento; Lucy, uma puta; e Dalva, uma mulher com um coração enorme.

Sangue, sêmen e lágrimas.

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Querida Konbini, 2011 (Sayaka Murata)

Querida Konbini | Sayaka Murata

Existem algumas maneiras de ler esse livro. Para os otimistas, é um livro sobre a felicidade e encontrar seu lugar no mundo. Para os questionadores, é um livro que impõe a pergunta: o que é ser normal? Para quem gosta de diagnósticos, deve ser um livro sobre autismo, ou algo semelhante. Para os práticos, uma análise prática: o capitalismo tardio e a precarização do emprego.

Keiko tem 36 anos e nunca se encaixou bem socialmente. Sem nunca saber como se portar, preferia que as pessoas lhe dissessem exatamente o que fazer, como agir, como sorrir, como olhar, como vestir. Encontrou isso num trabalho temporário, em uma loja de conveniência (Konbini).

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Laços, 2014 (Domenico Starnone)

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Tem imagens que são mais óbvias, iniciantes, que todo jovem ao tentar escrever poemas vai recorrer. É por isso que é tão comum encontrá-las por aí. A dualidade da palavra “nós”, que pode ser a primeira pessoa do plural ou um laço bem amarrado, é uma delas.

Tem aquela música da Fresno, “são muitos enredos enrolados, embriagados, como nós”. E tanto a música quanto o livro de Starnone falam de relacionamentos que de tanto se enlaçarem, apertam-se, sufocam-se, e demandam um pouco de liberdade, um corte abrupto, que deixa marcas.

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O Sentido de um Fim, 2011 (Julian Barnes)

Livro - O Sentido De Um Fim - Julian Barnes (box) - Tag | Mercado Livre

Rápido, surpreendente e intenso.

Rápido – É um livro sobre o tempo, sobre envelhecimento, remorsos e esquecimentos. Sintomas de uma vida que vai se acumulando. Na primeira parte, o autor pincela uma infância ligeira, apenas com os pontos relevantes. E depois, um salto, aos 50 e tantos anos muita coisa é retomada após receber uma herança inesperada.

Surpreendente – A grande brisa desse livro é sobre como editamos nossas memórias à mercê de nossos sentimentos, nossas vontades e perspectivas. Sobre como criamos narrativas pessoais, que tomamos como verdade, e que muitas vezes nos afastam de uma concepção verossímil da realidade.

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Intérprete de Males, 1999 (Jhumpa Lahiri)

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Uma série de contos sobre uma Índia cada vez mais globalizada.

O conto que dá o nome ao livro é, de longe, o mais legal: um guia turístico está passeando com uma família americana e conta que trabalha de “intérprete” para o médico estrangeiro que atende no seu bairro, traduzindo do bengali para o inglês as dores dos habitantes. Esse serviço desperta o interesse da mãe, que imagina nele a solução para um mal que ela nunca conseguiu por em palavras.

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O Vermelho e o Negro, 1830 (Stendhal)

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O negro da batina, o vermelho do exército francês. Essas cores traduzem os ambientes que vão marcar a história de Julien Sorel, o ambicioso filho de carpinteiro que almeja ascender socialmente.

Julien, por ser extraordinariamente bonito, deixa mulheres apaixonadas por onde passa – e é a partir dessas paixões que a história evolui, o que fez Stendhal comentar que a obra é “a primeira vez que um livro teve a ousadia de tratar dos sentimentos franceses” e também “o único livro que tem duas heroínas, a Senhora de Rênal e Mathilde”.

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Diário de Queda, 2011 (Michael Laub)

Diário da queda - Resenhas - Livros - Bons Livros Para Ler

A história de um trauma e suas implicações.

Essa resenha poderia se resumir a isso. O curto livro de Michel Laub, escritor gaúcho de 48 anos, trata de todas as reverberações que um trauma pode causar em uma vida.

O livro é apresentado em forma de diário, marcado por fluxos de consciência e divididos em nove capítulos cujos títulos são: “Algumas coisas que sei sobre meu avô”, “Algumas coisas que sei sobre o meu pai”, “Algumas coisas que sei sobre mim”.

Neles, as lembranças de sua família, judeus fugidos de Auschwitz, se entrelaçavam com suas próprias lembranças, reavivando o trauma cujas consequências se projetam em diversos fatores de sua vida nas décadas seguintes.

É pra ler em uma sentada e conhecer uma parte do Brasil que não estamos tão habituados.

O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984 (José Saramago)

O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago – contraCenas

Eu nunca tinha lido Saramago, até o último natal, quando minha mãe me presenteou com O Ano da Morte de Ricardo Reis, de acordo com ela, “porque nosso sobrenome é Reis”.

Li ele inteiro em 2 dias. Nele mostra-se os últimos dias deste poeta, que na verdade, não existiu. Ricardo Reis foi um pseudônimo do Fernando Pessoa. Quando Pessoa morreu, não houve um fim para a história de Ricardo. É nesse gap que Saramago atua.

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A Tirania do Amor, 2018 (Cristovão Tezza)

A TIRANIA DO AMOR – Cristovão Tezza – ACRÓPOLE REVISITADA

Como pensa um Faria Limer?

Eu resumiria que a proposta desse livro é colocar o leitor nesse lugar, conhecer esse ser que vive nas sombras do rendimento passivo, esse ser que não se preocupa com os boletos no fim do mês mas mesmo assim tem um monte de preocupações absolutamente banais, gente como a gente.

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Os Cadernos de Malte Laurids Brigge, 1910 (Rainer Maria Rilke)

floribundo: Rainer Maria Rilke

“O fato de uma coisa ser difícil tem de ser mais um motivo para fazê-la. Amar também é bom: pois o amor é difícil.”

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“Cartas a um jovem poeta”, do Rilke, é o livro que mais mexeu comigo na vida. Já presenteei 3 pessoas diferentes com ele, anexando marca-páginas em minhas cartas favoritas. Em 1903, um rapaz de 17 anos troca cartas com seu poeta favorito, que lhe dá diversas dicas de como encarar a vida. O Rilke foi um dos poetas mais influentes da Europa no século XX, e sua correspondência foi publicada nesse livreto de 60 páginas.

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