Quanto vale a sua opinião?

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Eu admito, não foi fácil. Eu já fui errado, já me importei. Já tentei argumentar. Já falei “eu só acho que” e defendi alguma efemeridade qualquer. Mas passou. Agora, não só gosto, como adoro essa história de que hetero-homem-branco não tem que dar opinião em nada.

Ao entrar na faculdade, no furor da juventude, somos tomados por um vigor, uma disposição incrível de argumentar e se fazer ouvir. Fomos aprisionados em regras obscuras durante toda a adolescência e experimentamos, alguns, a liberdade de pensamento pela primeira vez.

Nos perdemos em duelos retóricos, muitos rasos, por pessoas rasas ou por argumentos rasos. Alguns não. Alguns são incríveis, construtivos, edificantes. Nos dão uma euforia danada, o coração bate acelerado, as teclas são batidas desenfreadamente, enviamos mensagens sem nem reler direito (e pensamos, merda!, reler teria evitado tanta coisa…).

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relatos de uma autoestima #01

Ultimamente eu tenho tido aquela que, ouso dizer, é a melhor aparência que já tive na vida. Isso é triste, pois sugere que daqui pra frente só há de piorar. É claro que a minha visão sobre isso é subjetiva e tendenciosa; talvez somente meus pais, que me viram diariamente nos últimos 23 anos, soubessem afirmar isso, mas fato é que me olho no espelho e me sinto bonito.

O que penso é que, independente da minha autoestima, que está alta sim senhor, estou bonito. Todo o emaranhado cósmico que delimita os pormenores de nossas vidas se alinhou de forma tal que hoje posso frequentar a academia, praticar esportes, ter uma alimentação de qualidade e um ritmo de vida saudável.

Tudo isso, somado e em suma, juntou-se a um momento em que encontrei no Ney, meu barbeiro, um amigo, um companheiro e ajudante, diferente das moças de salão que sempre mais prejudicavam do que ajudavam, a despeito do preço que cobravam.

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Freestyle de Ideias

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MONOGAMIA MUSICAL

Esses dias comentaram comigo “eu gosto de ter vários romances, sabe? não quer dizer que eu queira namorar com nenhum deles. Às vezes, quando você ta empolgado, você até passa um tempo monogâmico, não dá vontade de ficar com mais ninguém. Mas isso passa, né, sei la, as pessoas não entendem e grudam, ai me broxa totalmente. A monogamia a longo prazo pra mim não faz o menor sentido.

Eu não só concordei com cada vírgula e entonação, como mais tarde ainda pensei, ouvindo apaixonadamente uma nova música: com a música acontece a mesma coisa.

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O Centro ao Meio-Dia

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“11h55?”, o Gui me mandou no whatsapp. “F1” respondi.

Eram 11:45. Eu estava no escritório e já começava a me preparar para dar um dois num beck antes do almoço, como fizemos algumas vezes pontuais.

Começou de forma inocente. Certa vez a gente tava afinzasso de dar um dois e não sabia aonde – o centro do Rio é cheio de coxinhas de terno, policiais e delatores. É preciso ter cuidado.

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5 Dicas práticas para melhorar a sua vida rapidamente

Muito se fala em saúde mental hoje em dia. Como todos os temas subjetivos, a saúde mental não é uma ciência exata, muito menos algo facilmente definível. É um campo de conhecimento que depende de uma série de fatores, como autoconhecimento, autogestão de si, momento de vida, princípios morais, etc.

Quando uma pessoa caga regra nas redes sociais, geralmente são comentários sobre o que aquela pessoa curte, o que faz bem a ela; não significa que fará também para outras pessoas. A gente até pega um certo ranço, pois geralmente são comentários superficiais feitos por adolescentes pré-púberes com uma quantidade desmedida de retweets.

Não quero repetir o erro dessa galera ao supor que, o que faz sentido para mim fará sentido para todas as pessoas do mundo. Acredito, contudo, que algumas coisas transcendem os limites do pessoal e podem ajudar qualquer ser humano a se sentir melhor em pouco tempo.

São cargas imediatas de alegria que, se mantidas, trarão alegria a longo prazo também!

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Hangloose

busstopCircunstâncias da vida me levaram a estar no bar numa quarta à noite do outro lado do Rio de Janeiro. Eram 23:30 e eu estava ligeiramente bêbado, após conversas singularmente importantes (assunto para outro momento)* em um ponto escuro e deserto do centro do Rio de Janeiro, torcendo muito para que o ônibus, que o último da noite saía às 23:15, não tivesse ainda passado por ali.

*N.A.: Eu não lembro mais o que era.

Após alguns minutos de aflição ele apareceu. Entrei e a primeira coisa que ouvi foi o motorista gritando “Quer meus dado? Se quiser meus dado eu te dou. Mas senta ai. Tu vai cair de novo. Alá, não ta nem se segurando, vai cair de novo”.

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Discretos feixes de poesia

Me asssusta&entristece a pasteurização dos discursos hoje em dia.

Nossos discursos influenciam diretamente a forma como a gente enxerga a vida. E os discursos hoje em dia estão podres, pobres e destrutivos.

Primeiro que hoje em dia tudo é opinião. Todo mundo dá opinião. Todas as frases começam com “eu acho” ou variante. Mas a opinião divide. Quem ouve, imediatamente se vê obrigado a se posicionar entre “concordo” ou “discordo”. A partir disso, a vida vira uma dualidade torturante.

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Aquela de Jambú

Era verão.

Toda a empresa fora convidada a uma churrascaria chique na zona sul. Comemos comida de gente rica, com carnes que se desfaziam na boca, champagne e cerveja liberada, tudo às custas dos nossos chefes. Vez ou outra pediam o microfone para fazer algum tipo de agradecimento, “estamos ficando bilionários às custas do seu tempo de vida e esforço”, só que mais bonitinho, sabe, coisas assim.

Por volta das 17h ninguém aguentava ingerir mais nada – até por que não podíamos fumar um Bergson por ali, o que diminuía sensivelmente nossa capacidade alimentativa – e estávamos ansiosos para uma choppada que iríamos dali a pouco. Nosso grupo saía pouco, mas quando saía era pra fazer história, e estávamos portanto ansiosos para ir àquela choppada de publicidade da faculdade do meu amigo, o Gui.

Chegamos por volta das 19h. Estava claro e todos já bêbados – a festa começara 16h. Meio deslocado, eu sabia que era questão e tempo – e álcool – até tudo se resolver.

Hoje vou te arranjar uma menina“, disse-me Gui.

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