Aquele do Los Hermanos

Irreverência no Busão

staff-laughhard-spotted-this-guy-on-the-bus-have-a-nice-43371483Deu 19h e o último foi embora do escritório. Pensei: minha chance. Fui ao banheiro, apertei umzinho, peguei minhas coisas e fui embora aproveitar a solidão para dar um dois nas ruas desertas da Barra da Tijuca.

Com os zoin vermelho, entrei no busão e coloquei meu fone. Uma cultura curiosa se constrói naquele ônibus: os passageiros criaram um grupo no whatsapp com o nome da linha e passam a viagem inteira conversando. Qualquer vislumbre em celulares demonstra que eu sou, possivelmente, o único que ainda não participa do grupo. E, para ser sincero, prefiro continuar assim.

Eles fazem parte daquele estrato detestável de utilizadores do Zap que não reúnem as capacidades sociais necessárias para viver em sociedade. Em rápidas olhadas, já pude ver um cara responder a uma menina com “e você avisou a ele que você gosta de leite de macho?” e numa outra ocasião “estudar é meu pau ensaboado, filho da puta” seguido de um gif da Gretchen pagando boque. Eu definitivamente não quero participar desse grupo.

Parece que o grupo cresceu tanto após as aparições na mídia, que perdeu esse tom “familiar” e agora se restringe a avisos e horários do ônibus. Mas ele existe e uma comunidade é formada a partir dele. Até os motoristas participam. Neste dia, quando o motorista se aproximava de uma determinada rua, uma comoção popular entre os passageiros fez com que gritassem: ô piloto, passa reto! Para não, passa reto!

“O fiscal vai reclamar. Preciso passar, não tem jeito”. Eis que um dos passageiros levanta, vai até o motorista e lhe faz uma proposta tentadora. O motorista, então, para o carro na esquina e abre a porta de trás. O passageiro desce, vai correndo até um ponto distante e faz sinal para os que ali esperavam. Então, todos no ponto entram no ônibus, que parte sem passar naquela enfadonha rua, economizando 30 minutos de vida de todos os presentes. Ah, a irreverência do carioca!

***

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– Qual foi sua parte favorita do show? – perguntei.
– Acho que O Vencedor. Mas Sentimental também foi lindo. E a sua?
– A minha foi quando eu te vi. (silêncio) hahahaha, brincadeira. Seria fofo se eu dissesse isso, né? Mas… foi O Vencedor, também.

Na sexta-feira eu acordei cantando De Onde Vem a Calma, do Los Hermanos. Sei lá por quê. Tinha uns 4 anos que eu não ouvia Los Hermanos. Sequer lembrava das letras. Mas veio uma vontade danada de ouvir, como se o universo me sugerisse alguma coisa. Ouvi 4, 5 vezes em sequência, cada vez sentindo uma catarse ainda maior.

Lembrei que em pouco tempo haveria show dos caras no Maracanã e que a maioria dos meus amigos já tinha comprado ingresso. Fui dar uma checada. Surpreendentemente, eu conhecia mais da metade do setlist. Opa, era no dia seguinte! Antes que me apercebesse do que se passava, já havia comprado o ingresso. Na pior das hipóteses seria um belo rolê.

Eu tinha um grupo grande de amigos que ia de Pista e um grupo maravilhoso de amigos que ia de VIP. Obviamente fui de Pista pois não estou pra isso tudo. Encontrei-os na entrada do Maracanã, que estava decepcionantemente vazio, e tomamos umas cervejas. O show de abertura, do Tim Bernardes, estava prestes a começar e advoguei no sentido de entrarmos para vê-lo. Apenas uma menina curtia o cara e eu, que não curtia muito, via no show uma oportunidade de conhecê-lo melhor.

Entramos. A pista VIP foi um grande engodo, uma enrolação, um ASSINTE, e na realidade era na mesma área da pista normal, de forma que em pouco tempo consegui reunir meus dois grupos de amigos e constituir uma grande família de hipsters fãs de Los Hermanos. 

O show do Tim Bernardes definitivamente não foi pensado para o Maracanã; lá estava o menino, esforçado, magrelo, exalando hipsterzisse pelos poros e tocando seu pianinho solitário em um palco enorme. Cá estava eu, com tantos amigos, gastando 12 reais por um copo de Antarctica na mera expectativa de me divertir ouvindo música.

“Então, eu vou no show de pista também”, me mandou no zap a morena pela qual meu coração ainda estava sensibilizado. Frio como uma iguana mantive-me, segurando as expectativas atreladas apenas ao show, e não no fatídico encontro. Mas, af. De repente, não mais que de repente, aquela noite se tornara na oportunidade de ver novamente aquele rostinho lindo.

A menina chegou faltando poucos minutos para o show. Pediu para eu ir buscá-la na entrada, e o “possível encontro” ganhou contornos de um “show juntos” que eu não esperava para aquela noite. Soubesse antes, teria até escolhido uma cueca mais bonita.

O Maracanã começava a encher de forma que ninguém esperava – mais tarde, saberíamos que todos os setores esgotaram e mais de 42 mil pessoas apareceram – e foi uma verdadeira batalha campal chegar até a menina, que estava com uma amiga. Eu não sabia ao certo como agir, então mantive minha postura de inabalável bobeira, indolente sorriso e irrefreável simpatia. Sem dizer palavra, apareci ao lado delas e apenas sorri. Também sem dizer palavra, a menina me tascou um beijão.

Oh, oh. We’re burning some steps in here.

O show foi uma das experiências mais agradáveis dos últimos anos. Uma comoção popular maior do que eu poderia imaginar, músicas incrivelmente gostosas de se ouvir em um estádio lotado, e os calafrios recorrentes de passar quase o show inteiro de mãos dadas com a menina, que às vezes apertava minha mão com ainda mais força só pra testar a resiliência do meu aparelho cardio-respiratório. Nunca, no meio daquele gramado do Maracanã, um coração bateu tão forte.

Terminado o show, consegui tietar o Tim Bernardes e o Rogerinho do Ingá (Caito Mainer), que perambulavam pelo meio da multidão como se meros mortais fossem. Minha ex-chefe, por uma dessas coincidências absurdas do universo, é a atual mulher do tecladista do Los Hermanos, e incendiou em nosso coração a possibilidade de conseguir pulseiras para a after-party da banda.

Nós, por nossa vez, incendiamos um baseado na entrada da festa, mas as pulseiras só chegaram para uma parte do grupo. Melhor que fosse assim. Eu e a menina fizemos nossa própria after-party, que ouso dizer: foi bem melhor.

***

“Meu chefe kkkkkkkk tem 24 anos e parece mais novo que eu”

Foi com esse tweet que me caiu a ficha de que agora eu tenho dois estagiários. Agora estou coordenando a primeira equipe de Marketing da empresa e me foi incumbida a função de gerir dois estagiários.

Contratamos um menino e uma menina da UFRJ, sendo que ele cursa o mesmo curso que eu terminei em 2017. Trocamos figurinhas e lembranças sobre os tempos de faculdade, e logo passei a dar dicas e direcionamentos sobre o trabalho. É o primeiro job do cara e já tem logo a mim como chefe. Na ocasião oportuna, darei o toque: não utilize seu nome verdadeiro no twitter, pandawan. Seu chefe vai achá-lo.

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#1 Assim

Já aprendi a dizer sim
Já aprendi a caminhar
Já sei o que eu quero
Quem sabe eu chego lá

Viver nem é tão difícil,
a gente que complica.
Eu que nunca fui melancólico
não quero começar agora…

Não vem mexer comigo,
eu tô bem assim.
Não me pressiona
que eu tô bem assim.

Não roube o meu sorriso
ele nem vale tanto…
Mais raro é o meu pranto
não mostro pra ninguém.

Segundas

Quem habituado está à Gestão de Badvibes pode imaginar como acordei. Sempre que vou pedir uber pra minha casa, o destino sugerido pelo app é a casa dEla. Percebam a sutileza do cavalo: sonhei comigo pedindo um uber pra casa dEla e o carro não chegava nunca.

Entregue a choramingos e condolências, levantei às 8h e fui me vestir. Estava me sentindo especialmente apto a vestir preto. Fechei a porta, botei os fones de ouvido (Copeland – Erase) e comecei a me vestir com toda a dramaticidade de uma solidão matutina. Acendi o beck, refleti virado pro espelho. Minha mãe, toda estabanada, entra no quarto.

– Ô GUILHERME tu vai querer DIPINDURA esse quadro aqui na tua parede?

– MÃE você não vê que estou TRISTE?

“Vô não, bãe. Guarda ali que depois eu vejo isso”

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Diário de Um Sentimento Ruim

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Vamos voltar um pouco…

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DIA #1

É ruim psicologicamente. Eu estou pensando em excesso, o tempo todo, ela aparece numa frequência enorme, ridícula até, me leva a fazer coisas ridículas. Fico recordando tudo que deu errado, todas as palavras ruins, olho para os rostos e fotos e procuro maus tratos. Tudo pra sufocar esse sentimento de querê-la que só me machuca mais, por doer em dobro. Sinto-me um saco, insuportável, pedindo desculpa por tudo, puxando papos ruins, me jogando todo estabanado nas conversas como se a sociedade fosse obrigada a inebriar essa ausência. Estou existindo em excesso, cansado de mim, exausto. Sei que sou ótimo, mas mesmo assim. Não é culpa minha, não podia ter sido diferente; mas mesmo assim. Sei que vai passar, mas mesmo assim.

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Sua Alegria Foi Resenhada

Sente só. Tá fazendo frio, né? Isso só pode significar uma coisa: as bandas tristes estão lançando discos novos!

***

Eu ando monotemático. Se o motorista do uber me der bom dia, ele que me aguente: vou falar de Fresno a viagem inteira. Daí que eu escrevi essa resenha por meio de notas. Não “parei” para escrevê-la – ouvindo as músicas, ao longo dos dias em que eu ouvi essas músicas, pensamentos me saltaram, e precisei escrever.

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A inerente beleza da minha vida

“Pangloss ensinava metafísico–teólogo–cosmolonigologia. Provava admiravelmente que não há efeito sem causa e que, neste que é o melhor possível dos mundos, o castelo do senhor barão era o mais belo possível dos castelos e a senhora a melhor das baronesas possíveis.

Cândido, em pânico, desvairado, todo ensanguentado e palpitante, dizia consigo: “Se este é o melhor dos mundos possíveis, como não serão os outros!””

Às vezes eu me pergunto se tudo não passa de um preciosismo, de uma escolha meticulosa de narrativas para ornar a vida.

Eu me pergunto se o fato de escrever a minha vida há tantos anos – já são 11 agora – não me transforma num otimista do passado, um nostálgico imediato. Se no final das contas eu não fico enfeitando os acontecimentos com lantejoulas e brilhantina, como se a vida só dependesse da interpretação que eu desse para ser melhor.

Por que, ou é isso, ou eu tenho uma sorte descomunal, uma sintonia singular com o universo que me faz caminhar apenas pelos mais bonitos de todos os caminhos possíveis.

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O que é bom a vida dá

Nós precisamos saber admitir quando a vida nos sorri, não é mesmo?

Ainda que, como diz sabiamente aquela letra da Tópaz, “O que é bom a vida dá / pra depois poder roubar / e morrer de rir ao ver / que você não tem mais”, devemos entender seus gracejos mas sem jamais apegar-nos a eles.

Foi o que aconteceu naquele domingo. Eu havia terminado, em definitivo, uma relação de idas e vindas que se estendia há meses. Já estava tão calejado das feridas que o término suscitou, que sequer conseguia sentir a melancolia desta vez. Esperava, esperava, imaginava “hm, hoje é domingo, talvez lá pela terça eu sinta falta dela, na quarta mande uma mensagem inconsequente, que desenrole para mais um encontro culpado ao anoitecer”, e nesses pensamentos ia divagando meu domingo.

Até que aconteceu algo diferente.

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