Resenha: Almas Mortas, 1842 (Nikolái Gogol)

RESENHA #511] ALMAS MORTAS - NIKOLAI GOGOL

No boi há muito que se aproveite, mas dele ninguém vai tirar o leite.

\\

Tchitchicov queria comprar almas mortas. Thats the point. Você, nem ninguém, sabe o motivo. E é isso que faz o livro acontecer.

Como uma câmera que vai passando de casa em casa, do mais baixo ao mais alto clero da Rússia do século XIX, Tchitchicov se adapta aos ciclos sociais, se apresenta como um agradável empreendedor, e tenta comprar almas mortas. Almas, no caso, são os servos, que são tratados como propriedade dos donos das terras.

O livro é repetitivo. Gogol cria o romance moderno e introduz o realismo na literatura russa contando minuciosamente cada vírgula das conversas. Tchitchicov conhece, se apresenta, encontra as brechas e bajula as pessoas até chegar ao ponto de fazer uma oferta pelas almas mortas. Seja uma mulher idosa, seja um charlatão apostador, seja um governador – ele sempre se adapta e tenta faturar as almas.

Mas tão estranho negócio gera boatos, que geram boatos ainda maiores, e com muito bom humor (o narrador é brincalhão e interpelativo) constroem-se situações que mostram as falhas morais de cada uma das personagens, inclusive de Tchitchicov, que não passa de um charlatão.

\\

O livro não tem fim e faltam vários trechos, que o próprio autor queimou antes de morrer.

\\

O livro era pra ser um poema, e apesar de uma prosa, faz odes poéticas à Rússia, com belas descrições de cenários e da cultura do povo russo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: