Terrace House 2019: O reality que é reality mesmo

Terrace-House

Terminado o BBB, fiquei órfão de um entretenimento de fácil digestão. Cheguei a passar pelos vales das sombras e da morte, dando chances a Mestres do Sabor e De Férias com o Ex, mas o único que me cativou mesmo foi o reality japonês da NetFlix Terrace House 2019-2020.

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Diário de Quarentena

Acordo às 9h. Antes mesmo de levantar da cama mando um “bom dia” no grupo do trabalho, para denotar que já estou a postos. Só aí troco de roupa (detalhe importantíssimo!), arrumo a cama, passo um café, rego as plantas. Às 9h20 estou pronto para trabalhar.

Trabalho focado e produtivo até 11h40, quando bate a fome.

Decido o que vou cozinhar. Penso calmamente, escolho. Uma proteína, um carboidrato, alguma coisa verde. Qual o suco? Laranja, beterraba, guaraná.

Cozinho ouvindo música e checando o celular o tempo todo. Almoço tranquilo, na mesa da sala, com a música ainda tocando.

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40 dias de quarentena

Entendo que tenha todo um lado problemático nessa afirmação, mas eu estou amando a quarentena. Nesses 40 dias, tive apenas dois dias de mau humor. De resto, estou brilhante. Faço minha comida, trabalho sem precisar sair de casa, meu salário e minha família estão protegidos. Moro na minha própria casa, onde posso molhar minhas plantas e tomar chá com torradas.

Disse algumas vezes essa frase e repito de novo: o que vocês chamam de quarentena, eu chamo de férias de verão. Porque era exatamente assim mesmo. Eu passava dois meses in-tei-ri-nhos sem sair de casa. Tão logo acabava o ano letivo, eu agia exatamente assim:

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Il terzo incomodo

Estava lendo A Cartuxa de Parma, do Stendhal, numa ensolarada manhã de quarta. O romance é um clássico de formação, ou seja, acompanha o personagem desde a tenra adolescência, ao longo de toda a sua obtenção de conhecimento e experiências, até a meia-idade.

Em determinado momento, Fabrice, o personagem principal, passa a ser alvo de ciúmes do conde Mosca, que é casado com sua tia. Os ciúmes de Mosca são estimulados por picuinhas da nobreza francesa, de forma que em pouco tempo passa a ser um sentimento imperioso em sua relação com a duquesa.

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Catarse 101

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Esta manhã me entreguei à frivolidade dos instantes. Não que fosse minha intenção. Foi imperativo. Aproximava-me do ponto de ônibus quando pude vislumbrar o desgraçado, aquela carroça do inferno, aquele pau-de-arara pós-moderno, que atende pelo nome de 693 ALVORADA passando ao longe. Corri, corri, mas não o suficiente. Cheguei apenas ao ponto de vê-lo esvair-se no horizonte sem mim.

Acendi o baseado e li dois capítulo de A Cartuxa de Parma, que tenho lido. Remarquei a reunião das 11h. Terminei de escrever esse post no celular. Boa manhã.

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Meets n Greets por aí


(Play enquanto lê pra pegar a vibe.)

Minha ex namorada é a única pessoa que eu conheço que curte Esteban Tavares. Então, quando tem show dele, a gente vai junto, só eu e ela, o que poderia soar estranho; mas tendo em vista que terminamos bem, é um role bastante agradável para por a conversa em dia e curtir música boa juntos. Nos sentimentos maduros e satisfeitos pela forma como nos relacionamos e isso acaba nos fazendo felizes também.

Então lá estávamos, curtindo o showzasso do Esteban, um dos melhores no cenário nacional, com muita guitarra, maçonha e letras tristes. A menina tirou um doce da carteira e me ofereceu metade. Fazer o quê, né? Tá bom, então.

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Os Irmãos Karamázov (1880)

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Houve duas grandes motivações para surgir em mim a vontade de ler Os Irmãos Karamázov, esse clássico russo de 1880 com mais de 1000 páginas: a primeira é meu fascínio por Dostoievski, e a segunda é Nelson Rodrigues. Em alguma crônica, Nelson traça um paralelo entre a relação Fla-Flu e “as relações karamazovianas”. Se tem algo que eu não tolero é não entender referências literárias, então não demorou 3 dias para eu estar lendo o primeiro tomo do livro.

A história é assim: Fiódor Karamázov é um dos piores seres que você há de conhecer. Bon vivant, egocêntrico, egoísta, sórdido, vive intensamente e deixa um rastro de destruição e ódio por onde passa. Casa-se com uma mulher feia por interesse. Tem, com ela, um filho, Dmitri. Ela o abandona e, mais tarde, morre. O filho é levado ao Fiódor, que já está casado novamente, e é pai de mais dois filhos: Ivan, que viria a se tornar um intelectual, e Aliócha, uma criança tímida e pura que entra pro mosteiro. Essa segunda mulher os abandona.

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Ninguém vai se lembrar de mim

Quando eu criei um blog, aos 11 anos, o fiz pura e simplesmente por querer imitar os blogs que eu lia. Geralmente produzidos por pessoas muito mais velhas e com motivações diversas, a minha principal motivação, tal qual a criança que hoje cria um vlog pra imitar o Luccas Neto, era simplesmente imitar as pessoas mais velhas que eu gostava. O Izzy Nobre, por exemplo, morava no Canadá, e fazia da sua vida algo tão incrível que, de alguma forma, eu senti que também poderia fazer.

Não tardou e minhas principais referências minguaram – aqueles que não deletaram seus blogs, como o Efeito Ázaron, acabaram se tornando pessoas incrivelmente chatas, caso do próprio Izzy.

As referências se foram. O blog permaneceu. O ato de escrever, esse psicólogo recém desvendado, rapidamente tornou-se parte da minha personalidade – eu me tornei o bloggeiro, o menino de 14 anos que, com um computador, num quarto sem janelas, conseguiu uma audiência de mil leitores diários, conseguiu viajar para encontrar fãs, conseguiu rendimentos em dólar, conseguiu sair na matéria da Capricho.

Em algum momento eu já nem sabia direito o motivo de estar escrevendo.

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Sleepy Beach

– Com licença, você também comprou passagem nessa corporativa?
– Não, não.
– Ah, beleza.

Pedro continuou olhando sua passagem, tentando entender aonde seria o embarque. O senhor com quem acabara de falar, então, lhe pergunta amistosamente:

– Pra onde você está indo?
– PORRA. Tu quer ficar de papo AGORA?

E foi embora. 

Assim teve início mais um dia comum em São Paulo City.

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Relatos Oníricos

Eu sei que isso pode me colocar em enrascadas, mas sempre que eu sonho algo maneiro com alguém, imediatamente conto pra pessoa. Ainda impactado com as imagens do sonho, nem raciocino muito: acordo, lavo o rosto, pego o celular pra ver as 300 mensagens não lidas, abro a conversa da pessoa e conto pra ela.

No processo de contar, começo a perceber as ideias por trás das imagens, e consigo entender melhor os caminhos que meu inconsciente passou para chegar ali. Eu devia contar isso pra um psicólogo, mas na impulsividade que prezo por manter, por achar que me torna uma pessoa mais transparente e verdadeira, conto pra pessoa diretamente.

Talvez esses sejam os momentos de maior sinceridade de toda a minha vida. Curiosamente, as pessoas sentem que estou mandando uma indireta.

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