half empty, half too much

Hoje tomei uma comida no trabalho. Foi um desfile, uma elegância. Me ligaram. Minhas duas superioras raivosas na ligação. Uma outra área me pedira um negócio e, na inocência, eu sai entregando, sem conceber a microfísica do poder que circundava aquela situação. E foi um desfile. Com uma clareza e uma firmeza levemente raivosa elas reclamaram com muita veemência pra cima de mim. Um esporro bem dado. Ainda que eu tenha achado um pouco acima do tom, como se eu houvesse, num ato de rebeldia e desrespeito, atravessado os procedimentos. Quando fora só uma inocente solicitude. Desatenta e inoportuna. Ja cunhei uma frase que encerra qualquer discussão sobre o mundo corporativo – a proatividade é o câncer de toda iniciativa.

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ya no sonrío si alguien pronuncia tu nombre

Tem um filme com o Gregório Duvivier em que ele fala de um vizinho que ficou ouvindo “devolva-me” no repeat a noite toda. It probably was me for no reason.

Ele sentiu pena do cara, disse que queria ir lá abraçá-lo. É a reação natural. Mas agora que eu tenho uma Alexa, ouvir minhas músicas tristes preenchendo a sala é o momento mais confortável dos meus dias. É quando eu consigo sentir alguma coisa – mesmo. Chamo de uma melancolia confortável. Mas é mais, é um abraço, ao mesmo tempo que é lindo, é lindo demais, eu repetiria isso mil vezes – é lindo – é a obra de arte que mexe comigo mais profundamente. O resto do tempo é apenas robozinho, um passo atrás do outro.

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Tu resti bella anche se mi fai male oh oh oh oh

Eu vi cinco minutos do primeiro episódio de Sopranos e dei pause. Achei ótimo. Mas notei que eu precisava pensar.

Só pensar, olhar pro chão, em silêncio. Lembrar do que eu falei hoje. Avaliar, ver aonde vacilei. Entraram duas meninas novas no trabalho hoje, e já tinham entrado duas outras no início do mês. Quatro mulheres novas – uma lá de uns 45 e três com seus 30, 29.

Daí que como a de 45, a MM., e a de 30, B., entraram antes, já me sinto mais íntimo. A de 45 adora puxar um papo, e eu, ainda que com pouca disponibilidade pela carga de reuniões, adoro conversar também.

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O que aprendi assistindo animes de esportes

Há uns 15 dias, Lucas da Fresno comentou an passant sobre um anime de ciclismo disponível na Netflix que seria imperdível para otakus e ciclistas. Aquele breve comentário desencadeou uma jornada de conhecimento e desafio, que mobilizou minha mente nas últimas semanas, fortaleceu meus pulmões e me fez emagrecer dois quilos. Conto agora, meus amigos, tudo que aprendi vendo animes de esporte.

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Top 5 Apresentações Maravilhosas do La Voz Kids

Por alguns anos, meus ouvidos foram patrimônio exclusivo da língua italiana, especificamente, a voz de Tiziano Ferro, a voz mais incrível del mondo. Foi em 2016 ainda, quando o Tizi fez um duo com Pablo Alborán, o Luan Santana da españa, que minhas playlists passaram a ser invadidas por cantantes españoles de todas as origens. Hoje, que curioso – eu praticamente só escuto música espanhola.

Foi numa adaptação de Pablo Alborán que eu, mais recentemente, obtive um novo hábito – ouvir apresentações do La Voz Kids, pequenas pílulas de emoção concentrada em gritos lindíssimos de crianças fofas. Além de cumprirem emoção o suficiente para uma semana em menos de 2 minutos, os vídeos também me fizeram aprofundar em músicas nunca antes ouvidas por ninguém neste território brasileiro.

Agora, tal como Cristóvão Colombo, apresento a língua espanhola a vos, brasileños, com as 5 apresentações mais maravilhosas do La Voz:

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Trabalho na Pandemia e “Como Investir Para Encontrar Um Motivo Na Vida”

Da primeira vez que fui convidado a dar aula de português, há 9 anos, até hoje, quando sou coordenador de conteúdo de uma das maiores empresas do Brasil, consegui adicionar um zero à direita no meu salário bruto. Durante todos esses anos, uma coisa permaneceu imutável – eu nunca tirei nenhuma satisfação pessoal do meu trabalho.

As únicas vezes que me aproximei ligeiramente de uma satisfação foi quando produzi eventos. Em 2014, o Maravilhas Gastronômicas reuniu produtores de queijo, cerveja e linguiça do Rio de Janeiro. Em 2019, o Equipotel reuniu hoteleiros e fornecedores de todo o Brasil. E em 2021, o Transformando Energia em Cultura reuniu produtores culturais da Bahia e do Rio Grande do Norte.

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Green Eyes

Elevate Talks: Bjenny Montero - Josefina Blattmann - Medium

Lil Feet andou pelos campos de sua mente por toda a vida. Todo mundo que ele já conheceu não passava mais do que alguns dias lá antes de se cansar. As pessoas queriam ver outras coisas, descobrir novos lugares e caminhar por outros tons de cores. Lil Feet nunca teve esse desejo. Por curiosidade, ele de vez em quando pensava em sair, mas o fato era que ele realmente amava seus próprios campos da mente. Ele amava cada coisinha de lá. Havia tantas toneladas de verde, sua cor favorita! Ele amava o verde caribenho, o verde elétrico, o verde azul, o verde jingle, o verde limão. Ele até amou o ciano, que não era especificamente um tom de verde, mas havia verde nele e sempre o fazia se sentir bem.

Um dia, Lil Feet estava tentando dormir depois de uma longa caminhada por uma floresta de eucaliptos e uma coisa incrível aconteceu. Um grande raio apareceu no céu e caiu a alguns metros de onde estava Lil Feet. Ele explodiu com tanta força e fez um barulho tão grande que, por um minuto, Lil Feet pensou que não conseguiria passar por isso. Ele tinha certeza de que era um monstro querendo comê-lo, então ficou com muito medo de ir ver o que era, se escondendo nas próprias sombras a noite toda.

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40 dias de quarentena

Entendo que tenha todo um lado problemático nessa afirmação, mas eu estou amando a quarentena. Nesses 40 dias, tive apenas dois dias de mau humor. De resto, estou brilhante. Faço minha comida, trabalho sem precisar sair de casa, meu salário e minha família estão protegidos. Moro na minha própria casa, onde posso molhar minhas plantas e tomar chá com torradas.

Disse algumas vezes essa frase e repito de novo: o que vocês chamam de quarentena, eu chamo de férias de verão. Porque era exatamente assim mesmo. Eu passava dois meses in-tei-ri-nhos sem sair de casa. Tão logo acabava o ano letivo, eu agia exatamente assim:

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Il terzo incomodo

Estava lendo A Cartuxa de Parma, do Stendhal, numa ensolarada manhã de quarta. O romance é um clássico de formação, ou seja, acompanha o personagem desde a tenra adolescência, ao longo de toda a sua obtenção de conhecimento e experiências, até a meia-idade.

Em determinado momento, Fabrice, o personagem principal, passa a ser alvo de ciúmes do conde Mosca, que é casado com sua tia. Os ciúmes de Mosca são estimulados por picuinhas da nobreza francesa, de forma que em pouco tempo passa a ser um sentimento imperioso em sua relação com a duquesa.

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Resenha: Os Irmãos Karamázov, 1880 (Dostoiésvki)

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Houve duas grandes motivações para surgir em mim a vontade de ler Os Irmãos Karamázov, esse clássico russo de 1880 com mais de 1000 páginas: a primeira é meu fascínio por Dostoievski, e a segunda é Nelson Rodrigues. Em alguma crônica, Nelson traça um paralelo entre a relação Fla-Flu e “as relações karamazovianas”. Se tem algo que eu não tolero é não entender referências literárias, então não demorou 3 dias para eu estar lendo o primeiro tomo do livro.

A história é assim: Fiódor Karamázov é um dos piores seres que você há de conhecer. Bon vivant, egocêntrico, egoísta, sórdido, vive intensamente e deixa um rastro de destruição e ódio por onde passa. Casa-se com uma mulher feia por interesse. Tem, com ela, um filho, Dmitri. Ela o abandona e, mais tarde, morre. O filho é levado ao Fiódor, que já está casado novamente, e é pai de mais dois filhos: Ivan, que viria a se tornar um intelectual, e Aliócha, uma criança tímida e pura que entra pro mosteiro. Essa segunda mulher os abandona.

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