O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984 (José Saramago)

O ano da morte de Ricardo Reis, de José Saramago – contraCenas

Eu nunca tinha lido Saramago, até o último natal, quando minha mãe me presenteou com O Ano da Morte de Ricardo Reis, de acordo com ela, “porque nosso sobrenome é Reis”.

Li ele inteiro em 2 dias. Nele mostra-se os últimos dias deste poeta, que na verdade, não existiu. Ricardo Reis foi um pseudônimo do Fernando Pessoa. Quando Pessoa morreu, não houve um fim para a história de Ricardo. É nesse gap que Saramago atua.

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A Tirania do Amor, 2018 (Cristovão Tezza)

A TIRANIA DO AMOR – Cristovão Tezza – ACRÓPOLE REVISITADA

Como pensa um Faria Limer?

Eu resumiria que a proposta desse livro é colocar o leitor nesse lugar, conhecer esse ser que vive nas sombras do rendimento passivo, esse ser que não se preocupa com os boletos no fim do mês mas mesmo assim tem um monte de preocupações absolutamente banais, gente como a gente.

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Os Cadernos de Malte Laurids Brigge, 1910 (Rainer Maria Rilke)

floribundo: Rainer Maria Rilke

“O fato de uma coisa ser difícil tem de ser mais um motivo para fazê-la. Amar também é bom: pois o amor é difícil.”

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“Cartas a um jovem poeta”, do Rilke, é o livro que mais mexeu comigo na vida. Já presenteei 3 pessoas diferentes com ele, anexando marca-páginas em minhas cartas favoritas. Em 1903, um rapaz de 17 anos troca cartas com seu poeta favorito, que lhe dá diversas dicas de como encarar a vida. O Rilke foi um dos poetas mais influentes da Europa no século XX, e sua correspondência foi publicada nesse livreto de 60 páginas.

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Torto Arado, 2019 (Itamar Vieira Junior)

Com 'Torto Arado', autor une prestígio literário e sucesso comercial | VEJA

Falam muito bem desse livro, ganhou tudo que era prêmio nos últimos anos, a capa é chamativa e todo mundo gosta de tirar foto com ela.

Livro bom, curtinho, direto ao ponto, duas irmãs, Bibiana e Belonísia, que vivem num contexto análogo à escravidão numa fazenda na Chapada da Diamantina. Uma delas, logo cedo, fica muda, e o livro procura dar voz às duas, mostrando suas vidas e suas perspectivas. Desde a inocência da infância, às aspirações da adolescência, às dores do amadurecimento, às instigações políticas, à inconformidade (ou conformidade) com suas situações.

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Tiramos meus avós da Vila Cruzeiro

Hoje meus avós se mudaram. Aliás, eles estão se mudando desde ontem. Mas vamos começar do começo.

Quando eu nasci, meus avós já moravam há 10 anos naquela casa. Meu avô foi sapateiro por muitos anos, até virar pedreiro, daqueles jeitosos e limpinhos que fazem os serviços bem feitos.

Era uma casa graciosa, nada que chamasse a atenção, nunca estaria no Pinterest, mas uma casinha perfeitamente agradável e funcional, com um murinho baixo, cacos de vidro no topo do muro para evitar ladrões, um telhadinho pra proteger o fusca, e um corredor grande e largo.

Após o corredor, um degrauzinho te fazia adentrar a casa, logo na sala, na mesa onde almoçamos em todas as datas comemorativas. À esquerda, a cozinha, que por ser criança nunca pude mexer muito, exceto pra sentar na mesinha do canto e tomar um café com creme crack.

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Top 5 Apresentações Maravilhosas do La Voz Kids

Por alguns anos, meus ouvidos foram patrimônio exclusivo da língua italiana, especificamente, a voz de Tiziano Ferro, a voz mais incrível del mondo. Foi em 2016 ainda, quando o Tizi fez um duo com Pablo Alborán, o Luan Santana da españa, que minhas playlists passaram a ser invadidas por cantantes españoles de todas as origens. Hoje, que curioso – eu praticamente só escuto música espanhola.

Foi numa adaptação de Pablo Alborán que eu, mais recentemente, obtive um novo hábito – ouvir apresentações do La Voz Kids, pequenas pílulas de emoção concentrada em gritos lindíssimos de crianças fofas. Além de cumprirem emoção o suficiente para uma semana em menos de 2 minutos, os vídeos também me fizeram aprofundar em músicas nunca antes ouvidas por ninguém neste território brasileiro.

Agora, tal como Cristóvão Colombo, apresento a língua espanhola a vos, brasileños, com as 5 apresentações mais maravilhosas do La Voz:

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“O Sentido de um Fim”, de Julian Barnes

Livro - O Sentido De Um Fim - Julian Barnes (box) - Tag | JOR-EL PRESENTES

Eu estive lendo “O Sentido de Um Fim”, livro de Julian Barnes que trata basicamente sobre como construímos versões parciais das coisas que vivemos para nos confortar de nossos erros e limitações. No livro, um amigo do protagonista se suicida, e tudo parece ok, até que 40 anos depois um diário faz ele revisitar todas as histórias que ele havia passado verniz por cima.

É sempre muito mais fácil delegar a culpa de uma briga a outra pessoa, principalmente quando se é adolescente. Se alguém não te amou, é culpa dela. Se alguém te tratou mal, é maldade dela.

Todas as vezes que eu tive alguma frustração, principalmente amorosa, eu fiz questão de escrever um texto distorcendo tudo à minha maneira, pra deixar claro a integridade da culpa ao outro.

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Trabalho na Pandemia e “Como Investir Para Encontrar Um Motivo Na Vida”

Da primeira vez que fui convidado a dar aula de português, há 9 anos, até hoje, quando sou coordenador de conteúdo de uma das maiores empresas do Brasil, consegui adicionar um zero à direita no meu salário bruto. Durante todos esses anos, uma coisa permaneceu imutável – eu nunca tirei nenhuma satisfação pessoal do meu trabalho.

As únicas vezes que me aproximei ligeiramente de uma satisfação foi quando produzi eventos. Em 2014, o Maravilhas Gastronômicas reuniu produtores de queijo, cerveja e linguiça do Rio de Janeiro. Em 2019, o Equipotel reuniu hoteleiros e fornecedores de todo o Brasil. E em 2021, o Transformando Energia em Cultura reuniu produtores culturais da Bahia e do Rio Grande do Norte.

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Um texto com saudade: Ah, como era bom evento de anime!

Eu começo a ir ficando velho e vou sentindo uma saudade tremenda de como as coisas eram na infância. Em especial naquela época antes da internet, quando as coisas eram mais simples e, ao mesmo tempo, mais intensas.

Com 7 anos eu me mudei para o interior de São Paulo e meu irmão me ensinou a jogar Magic. Foi num sítio de um amigo do meu pai, depois de um dia de correria e piscina, aprendi a jogar Magic embrulhado numa toalha, com a sunga molhada, ensinado pelo meu irmão. Também lembro que naquele dia ouvi barulho de sapo e fiquei apavorado.

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O narcisismo destrutivo de Karol Conká

Acho que não existe um brasileiro vivo que desconheça o desconforto generalizado que causa a Big Brother Karol Conká. Vamos a um breve relato dos feitos da moça em apenas um mês de programa.

LUCAS

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Nas duas primeiras semanas, vimos Conká destilando tortura psicológica com um menino de 24 anos. Proibindo-o de comer na mesa, manipulando as pessoas para excluí-lo, humilhando-o repetidamente, e atentando contra a sanidade dele de maneira premeditada.

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