Aquele do Los Hermanos

Irreverência no Busão

staff-laughhard-spotted-this-guy-on-the-bus-have-a-nice-43371483Deu 19h e o último foi embora do escritório. Pensei: minha chance. Fui ao banheiro, apertei umzinho, peguei minhas coisas e fui embora aproveitar a solidão para dar um dois nas ruas desertas da Barra da Tijuca.

Com os zoin vermelho, entrei no busão e coloquei meu fone. Uma cultura curiosa se constrói naquele ônibus: os passageiros criaram um grupo no whatsapp com o nome da linha e passam a viagem inteira conversando. Qualquer vislumbre em celulares demonstra que eu sou, possivelmente, o único que ainda não participa do grupo. E, para ser sincero, prefiro continuar assim.

Eles fazem parte daquele estrato detestável de utilizadores do Zap que não reúnem as capacidades sociais necessárias para viver em sociedade. Em rápidas olhadas, já pude ver um cara responder a uma menina com “e você avisou a ele que você gosta de leite de macho?” e numa outra ocasião “estudar é meu pau ensaboado, filho da puta” seguido de um gif da Gretchen pagando boque. Eu definitivamente não quero participar desse grupo.

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#1 Assim

Já aprendi a dizer sim
Já aprendi a caminhar
Já sei o que eu quero
Quem sabe eu chego lá

Viver nem é tão difícil,
a gente que complica.
Eu que nunca fui melancólico
não quero começar agora…

Não vem mexer comigo,
eu tô bem assim.
Não me pressiona
que eu tô bem assim.

Não roube o meu sorriso
ele nem vale tanto…
Mais raro é o meu pranto
não mostro pra ninguém.

Segundas

Quem habituado está à Gestão de Badvibes pode imaginar como acordei. Sempre que vou pedir uber pra minha casa, o destino sugerido pelo app é a casa dEla. Percebam a sutileza do cavalo: sonhei comigo pedindo um uber pra casa dEla e o carro não chegava nunca.

Entregue a choramingos e condolências, levantei às 8h e fui me vestir. Estava me sentindo especialmente apto a vestir preto. Fechei a porta, botei os fones de ouvido (Copeland – Erase) e comecei a me vestir com toda a dramaticidade de uma solidão matutina. Acendi o beck, refleti virado pro espelho. Minha mãe, toda estabanada, entra no quarto.

– Ô GUILHERME tu vai querer DIPINDURA esse quadro aqui na tua parede?

– MÃE você não vê que estou TRISTE?

“Vô não, bãe. Guarda ali que depois eu vejo isso”

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Diário de Um Sentimento Ruim

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Vamos voltar um pouco…

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DIA #1

É ruim psicologicamente. Eu estou pensando em excesso, o tempo todo, ela aparece numa frequência enorme, ridícula até, me leva a fazer coisas ridículas. Fico recordando tudo que deu errado, todas as palavras ruins, olho para os rostos e fotos e procuro maus tratos. Tudo pra sufocar esse sentimento de querê-la que só me machuca mais, por doer em dobro. Sinto-me um saco, insuportável, pedindo desculpa por tudo, puxando papos ruins, me jogando todo estabanado nas conversas como se a sociedade fosse obrigada a inebriar essa ausência. Estou existindo em excesso, cansado de mim, exausto. Sei que sou ótimo, mas mesmo assim. Não é culpa minha, não podia ter sido diferente; mas mesmo assim. Sei que vai passar, mas mesmo assim.

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Sua Alegria Foi Resenhada

Sente só. Tá fazendo frio, né? Isso só pode significar uma coisa: as bandas tristes estão lançando discos novos!

***

Eu ando monotemático. Se o motorista do uber me der bom dia, ele que me aguente: vou falar de Fresno a viagem inteira. Daí que eu escrevi essa resenha por meio de notas. Não “parei” para escrevê-la – ouvindo as músicas, ao longo dos dias em que eu ouvi essas músicas, pensamentos me saltaram, e precisei escrever.

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A inerente beleza da minha vida

“Pangloss ensinava metafísico–teólogo–cosmolonigologia. Provava admiravelmente que não há efeito sem causa e que, neste que é o melhor possível dos mundos, o castelo do senhor barão era o mais belo possível dos castelos e a senhora a melhor das baronesas possíveis.

Cândido, em pânico, desvairado, todo ensanguentado e palpitante, dizia consigo: “Se este é o melhor dos mundos possíveis, como não serão os outros!””

Às vezes eu me pergunto se tudo não passa de um preciosismo, de uma escolha meticulosa de narrativas para ornar a vida.

Eu me pergunto se o fato de escrever a minha vida há tantos anos – já são 11 agora – não me transforma num otimista do passado, um nostálgico imediato. Se no final das contas eu não fico enfeitando os acontecimentos com lantejoulas e brilhantina, como se a vida só dependesse da interpretação que eu desse para ser melhor.

Por que, ou é isso, ou eu tenho uma sorte descomunal, uma sintonia singular com o universo que me faz caminhar apenas pelos mais bonitos de todos os caminhos possíveis.

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O que é bom a vida dá

Nós precisamos saber admitir quando a vida nos sorri, não é mesmo?

Ainda que, como diz sabiamente aquela letra da Tópaz, “O que é bom a vida dá / pra depois poder roubar / e morrer de rir ao ver / que você não tem mais”, devemos entender seus gracejos mas sem jamais apegar-nos a eles.

Foi o que aconteceu naquele domingo. Eu havia terminado, em definitivo, uma relação de idas e vindas que se estendia há meses. Já estava tão calejado das feridas que o término suscitou, que sequer conseguia sentir a melancolia desta vez. Esperava, esperava, imaginava “hm, hoje é domingo, talvez lá pela terça eu sinta falta dela, na quarta mande uma mensagem inconsequente, que desenrole para mais um encontro culpado ao anoitecer”, e nesses pensamentos ia divagando meu domingo.

Até que aconteceu algo diferente.

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