Aquele do Gol do Pará

hqdefault

“Há um parentesco óbvio entre o Fluminense e o Flamengo. E como este se gerou no ressentimento, eu diria que os dois são os irmãos Karamazov do futebol brasileiro”
– Nelson Rodrigues

“A multidão ia para o Fla-Flu e o estádio do Fluminense não cabia de tanta gente. Era uma febre, uma epidemia de Fla-Flu. Ninguém estava livre dela: pegava feito visgo.”
– Mario Filho

***

Eu tenho um amigo, o Riccola, que dentre todas as pessoas que conheço talvez seja a melhor, mas reincide diariamente em um terrível erro que acomete somente aos piores seres humanos deste planeta: ele é flamenguista.

Continue Lendo “Aquele do Gol do Pará”

relatos de uma autoestima #04

Dn3jm3GXcAEASDL.jpg

As pessoas sempre elogiaram meu sorriso. Não o sorriso natural, espontâneo, que mostra um pouco da gengiva e dá um contorno grosseiro aos meus lábios, mas o sorriso forçado, aquele de fotos e situações desconfortáveis em que vestimos uma máscara agradável de nós mesmos. É por que meus dentes, de fato, além de bem brancos e de tamanho e alinhamento ideais, são bem bonitos, de forma que eu posso manipular meu sorriso para mostrar somente eles, ato que minha mãe chama de “sorriso idiota” e meus amigos de “sorriso colírio”.

Essa minha mesma mãe, sempre com comentários precisos sobre o ser humano que saíra de seu ventre, disse algumas vezes ao longo de minha vida que meu “rosto era bonitinho, só o nariz que não, o nariz veio do pai, é gordinho, batatudo, se eu fosse você faria uma plástica pra deixá-lo arrebitadinho”. De fato, como eu já disse, meu nariz e meu queixo destoavam do resto do corpo, e empenhavam uma disputa particular para saber quem chegaria primeiro ao chão, disputa na qual o meu nariz, por incrível que pareça, levava vantagem, pois, se estava atrás na distância, esta diferença diminuíra bastante ao longo dos anos.

Continue Lendo “relatos de uma autoestima #04”

A Geração ZapZap e O Sênior Midiotizado

dpvymhiw4aa4uaz.jpg

 

Vocês já notaram como adultos geralmente são patéticos na Internet? Gosto de chamá-los de Geração do ZapZap, um pessoal de 40 anos pra cima que aderiu recentemente ao mundo virtual e esta parece ter sido a pior coisa que poderiam ter feito.

Viciados em Whatsapp, eles já chegaram atualizando o nome para Zap Zap, o que já mostraria bem sua falta de senso estético, não fosse a ressignificação pós-irônica do termo, que viciou a todos nós nas nomenclaturas de Zap, Led Zappelin, Bashar a la Zap, Zap Efron, entre outros nomes da Comunidade Zapping Zonica.

Continue Lendo “A Geração ZapZap e O Sênior Midiotizado”

relatos de uma autoestima #03

 

enhanced-buzz-20372-1416410918-13

Ao longo de toda a minha carreira de atleta, permaneci imune à maioria das mazelas que afligem a carreira de jogadores, como lesões, suspensões, perseguições e outros ões diversos. Sempre fui, contudo, vítima de um problema devastador que ceifou qualquer possibilidade de seguir uma profissão esportiva: eu sou ruim em todos os esportes.

Sempre que me chamavam para jogar futebol, eu, que nem chuteira tinha até pouco tempo, sacava meu allstar e ia para a parte defensiva do campo, pois minha expertise, mais do que dominar uma bola, era dar carrinhos. Se me faltava técnica, sobrava vontade – mas só nos primeiros cinco minutos, antes de cansar; depois faltava tudo.

Continue Lendo “relatos de uma autoestima #03”

Freestyle de Ideias #02

CO9chQyWgAIdFdh

Se possível, não devemos alimentar animosidade contra ninguém, mas observar bem e guardar na memória os procedimentos de cada pessoa, para então fixarmos o seu valor, pelo menos naquilo que nos concerne, regulando, assim, a nossa conduta e atitude em relação a ela, sempre convencidos da imutabilidade do caráter. Esquecer qualquer traço ruim de uma pessoa é como jogar fora dinheiro custosamente adquirido. No entanto, se seguirmos o presente conselho, estaremos a proteger-nos da confiabilidade e de amizades tolas.

Continue Lendo “Freestyle de Ideias #02”

Espetáculo no Escuro

DmhcRrlXsAAREqj

Um barulho tremendo lancinou no meio da rua e as luzes de toda a vizinhança se apagaram de repente.

Alejandro ficou como que paralisado por alguns instantes, esperando pelos próximos acontecimentos. Imediatamente o alarme de um carro começou a tocar bem no fundo. O coração dera um único pico, suficiente para uma volúpia assomar-lhe o peito e disparar seus batimentos.

Olhou para o celular. 2% de bateria. Agora sim acendeu-se-lhe no peito um desespero sem precedentes. As horas seguintes subitamente pareceram que durariam dias, meses, como que uma eternidade. Seria obrigado a dormir cedo, não apenas cedo – impensavelmente cedo.

Continue Lendo “Espetáculo no Escuro”