Foi um bom dia

Luciano andava pela rua com o ar de que alguma coisa tinha acontecido e só ele não tinha percebido ainda. Como numa final de campeonato de futebol, ou no dia seguinte ao do fim da novela. Olhava para os lados e via as pessoas andando apressadas, desconjuntadas, até dando breves corridinhas. Não eram muitas: por algum motivo, as ruas estavam assustadoramente vazias, apenas poucas pessoas muito apressadas, correndo de um lado para o outro.

Olhou de soslaio para o lado e viu um carro freando dramaticamente numa esquina. Uma mulher saía correndo dele, e as pessoas ao redor se aproveitaram da descarga de adrenalina que aquela cena havia injetado na situação pra começar a correr também – cada uma seguindo seu caminho.

Via alguns carros, poucos correndo rapidamente, mas a maioria estacionado, curiosamente com pessoas dentro deles. Alguns, nas ruas menos iluminadas, podia ver que tremiam, como se fizessem sexo. Das janelas dos que estavam abertos, ouvia sorrisos e um pouco da canção que saía dos rádios.

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